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Semana de 22

 

 As renovações no campo da arte e da literatura brasileiras ensaiavam seus primeiros passos já no início do século XX. Contudo, até a realização da semana de arte Moderna, em 1922, a mentalidade oficial predominante em nossa cultura era essencialmente acadêmica e parnasiana. Nessas duas primeiras décadas do século XX, vários fatores de ordem social, política, econômica e cultural atuaram na vida brasileira, produzindo nela mudanças profundas.

Para começar temos a descentralização da riqueza do Rio de Janeiro, para espalhar-se por outras regiões do Brasil, principalmente em São Paulo, palco da maior onda imigratória no país, o que aqueceu o enriquecimento dos barões do café, ao mesmo tempo em que trazia em seu bojo algo politicamente mais consciente, porque não mais revolucionário, apesar das elites mandantes. São Paulo passou a ser centro de referência da cultura e da elite pensante.

A Semana de Arte Moderna, realizada no teatro municipal em São Paulo, representa um divisor de águas na cultura brasileira, tal a profundidade das transformações que gerou. Contudo, a Semana não foi o começo das mudanças, mas o ponto culminante de um processo que se iniciara na década anterior, quando um conjunto de episódios, tais como publicações de artigos polêmicos na imprensa, publicações de obras, exposições e conferências, começavam a minar as bases sólidas da cultura acadêmica nacional.

A Semana de Arte Moderna marcou época porque representou a confluência das várias tendências de renovação que vinham ocorrendo na arte e na cultura brasileira antes de 22 e cujo objetivo era combater a arte tradicional. Mário de Andrade, em 1942, em uma conferência comemorativa dos vinte anos da Semana de Arte Moderna, afirmou: “O Modernismo, no Brasil, foi uma ruptura, um abandono de princípios e técnicas conseqüentes, foi uma revolta contra o que era a Inteligência nacional”.

 

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