Educação

Português e Psicopedagogia. Por que trabalhar?

Trabalhei de 2004 a 2010 em cursinho. Esse foi o maior laboratório que tive principalmente por poder trabalhar com um público extremamente heterogêneo, que vinha de quase todos os cantos da cidade, muitos eram de fora de São Paulo, ou seja, alunos de diversas classes sociais, de escolas particulares ou públicas. Além disso, nesse tempo trabalhei com redação,  interpretação de texto e literatura, no entanto, foi a produção de texto que passou a me chamar mais a atenção.

Corrigia muitas redações por semana e comecei a perceber que, afora casos mais problemáticos, no geral, não havia muita diferença entre as redações de alunos de escolas públicas e particulares. Porém, era evidente que a maioria apresentava deficiências no que se refere à escrita, desde erros de ortografia ao da falta de organização dos elementos constitutivos de uma argumentação.

Por outro lado, ainda havia uma parcela bem menor de alunos que apresentava problemas muito “esquisitos”, cujo estranhamento inicial me era sabido como fruto da minha própria ignorância no assunto. Essa necessidade fez com que me especializasse em psicopedagogia, a fim de poder, inicialmente, ajudar àqueles poucos alunos que apresentavam problemas mais sérios e perceptíveis.

Cabe ressaltar, aliás, que a grande maioria dos alunos, no entanto, não apresentava nenhuma disfunção neurológica, mas sim, dificuldades relacionadas a problemas como ansiedade, insegurança ou simplesmente porque não entenderam a matéria a uma certa altura do processo e as dúvidas só acumularam.

Não podemos ignorar, entretanto, que o aprendizado é muito mais complexo do que, grosso modo, esperam os pais e a escola. Sabe-se que tudo interfere ou pode interferir no processo de aprendizagem: a família, mudanças, perdas, sociabilidade, os afetos – gostar ou não da escola e dos professores é fundamental nesse processo; a formação dos primeiros anos, a alfabetização…

O psicopedagogo é o profissional que vai ter um olhar mais detalhista por trabalhar individualmente com cada aluno e com isso poder analisar os aspectos emocionais envolvidos nesse processo, quando há, bem como fazer uso de outras ferramentas pedagógicas mais adequadas para aquele aluno naquele momento específico.

Por ser professora de português e por ter experiência do sexto ano ao cursinho, pude criar novas formas de ensinar gramática e redação. Trabalho com jovens e adultos para o aprimoramento da leitura e da expressão escrita. A gramática é trabalhada a partir de materiais pedagógicos diferenciados, criados para aqueles que sempre estudaram sintaxe na escola, mas nunca aprenderam.

 

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