Educação

Como o cérebro aprende?

  1. COMO O CÉREBRO APRENDE

 

Para uma abordagem à luz das neurociências, é essencial que se saiba minimamente a respeito do funcionamento cerebral, com o intuito de aplicar esses princípios em materiais e propostas pedagógicas mais realistas.

O processo de aprendizagem se dá no sistema nervoso central (SNC), que nada mais é do que um termo geral que reúne todas as estruturas neurais situadas dentro do crânio mais a coluna vertebral, podendo ser anatomicamente subdividido numa porção central composta pelo encéfalo e pela medula espinhal. (PANTANO: 2009)

O cérebro é constituído por dois hemisférios e cada hemisfério é dividido em cinco lobos. Entretanto, cabe lembrar que essas divisões são meramente didáticas, pois o funcionamento cerebral é integrado, ou seja, uma região depende das outras para realizar as suas funções. (PANTANO:2009)

O processo de aprendizagem acontece no SNC, mas, ainda assim, cabe antes observar as sutis diferenças entre o aprendizado e a memória. Quando uma informação conhecida chega ao cérebro gera uma lembrança, que nada mais é do que uma memória. Quando chega ao SNC uma informação inteiramente nova, ela nada evoca, mas sim, provoca uma mudança nos arquivos cerebrais, isto é aprendizado.( PANTANO:2009).

Cada neurônio comunica-se com milhares de outros neurônios, utilizando prolongamentos curtos (dendritos) ou longos (axônios) e dessa maneira formando incontáveis possibilidades de conexões neurais, à semelhança de uma rede.    (PANTANO:2009)

A cada novo estímulo, que gera um novo conhecimento, uma nova rede se forma conectando-se às antigas, sendo infinitas as possibilidades de formação de redes, o que também guiou as pesquisas para a descoberta da neuroplasticidade. (PANTANO:2009).

A neuroplasticidade é a propriedade que as células nervosas possuem de transformar, de modo permanente ou pelo menos prolongado, a sua função e a sua forma, em resposta à ação do ambiente externo. A aquisição de novos comportamentos pelo indivíduo ocorre na dependência da reorganização dos circuitos neurais. A plasticidade é maior durante o desenvolvimento e diminui, sem se extinguir, ao longo da vida adulta.( PANTANO:2009).

A comunicação neuronal acontece através da transmissão do impulso elétrico criado no corpo da célula nervosa. No final de cada um desses prolongamentos existem estruturas denominadas sinapses, em que estão localizadas inúmeras vesículas sinápticas, preenchidas com substâncias químicas denominadas neurotransmissores. Com a chegada do impulso elétrico, essas vesículas rompem os neurotransmissores, que são lançados num espaço denominado de fenda sináptica, transformando o estímulo elétrico em estímulo químico.

Cada neurônio tem potencial para fazer em torno de 60 mil sinapses, cada sinapse pode receber até 100 mil impulsos por segundo, o que dá uma idéia da complexidade da estrutura e do funcionamento das redes neurais. (PANTANO:2009).

          O cérebro é constituído por dois hemisférios e cada hemisfério é dividido em cinco lobos: occipital, temporal, parietal, frontal e insular. Apesar da grande semelhança anatômica entre os dois hemisférios são grandes as diferenças funcionais que existem entre eles.(PANTANO:2009)

Apesar das limitações que uma classificação predispõe, conhecer estas divisões pode ser útil para o educador, como forma de conhecer um pouco dos caminhos do pensamento, não apenas como um fenômeno da sujbetividade humana, mas também para conhecer os elementos neurológicos que compõem o pensamento, dessa forma compreender melhor os caminhos que a informação percorre até consolidar-se na memória.

                  Hemisfério Cerebral Esquerdo (PANTANO:2009)[1]

                        Em 98% das pessoas é no hemisfério cerebral esquerdo que está localizado a  função de linguagem e escrita;

                        É responsável pela sintaxe e pela semântica do idioma;

                        Permite a compreensão do significado literal das palavras;

                        Favorece a praticidade nas ações, a ser prático nas atividades e nas conclusões;

                        Permite a interpretação linear e sequencial dos acontecimentos;

                        Reduz algo complexo em partes mais simples;

                        Procura por detalhes;

                        Classifica e ordena os estímulos;

                        Faz interpretação e justificação dos acontecimentos;

                        Segue um padrão lógico;

                        É objetivo;

                        Encara os fatos como verdadeiros ou falsos, brancos ou pretos;

                        Retém a memória recente.

 

                  Hemisfério Cerebral Direito (PANTANO:2009)

O neurotransmissor dominante é a nerepinefrina que estimula a precepção de  novos estímulos visio-espaciais;

                        Avalia o contexto, entonação, ritmo da fala (prosódia);

                        Capta o simbolismo, a metáfora do texto e da fala;

                        Percebe o humor e a estética do acontecimento;

                        Permite uma visão holística da situação;

                        Percebe o todo e o padrão do acontecimento;

                        Possibilita a criatividade e a imaginação;

                        Oferece percepção e profundidade, reconhecimento do rosto e do estado emocional;

                        Oferece a sensação de antipatia, mesmo imotovada, sem ter certeza da razão  do porquê;

                        Avalia o acontecimento de forma global, sem se deter em detalhes;

Segue a intuição;

Estabelece padrões sem seguir um processo etapa por etapa;

                        É subjetivo.

 

Contudo, especial atenção para os caminhos da aprendizagem cabe à etapa final, ao processo de mielinização, que se dará extra-útero. Quando esse processo termina é difícil precisar, mas, para se ter uma idéia, para a finalização da “capa” de mielina correspondente às vias acústico-visuais, esse processo inicia-se no quinto mês de gestação, só se completando no vigésimo ano de vida de um indivíduo. Diferentemente do que se pensava, a maturação cerebral se completa a partir dos vinte anos de idade. (PANTANO:2009)

Se considerar a aprendizagem como a resultante entre a interação do indivíduo com seu meio ambiente, percebe-se que é o SN que propicia o arcabouço biológico para o desenvolvimento das habilidades cognitivas, ou seja, o processo de aprendizagem se dá no Sistema Nervoso Central, mas se completa com a interação de uma pessoa com o meio em que vive, como já preconizava Vigotsk.

Para o educador moderno é importante ter em mãos estas informações que, até pouco tempo, limitava-se a médicos e pesquisadores da área de pesquisa científica. À medida que vai se apropriando desse conhecimento, melhores possibilidades surgem para a criação de métodos de ensino mais adequados à faixa etária, por exemplo. Que o que se classifica por hemisfério direito é o responsável pelo lado mais perceptivo e que qualquer lesão nessa região poderá comprometer a imaginação, só para citar um déficit. No entanto, com a vinda de alunos de inclusão, o professor poderá agir de maneira a acolher e a colaborar com o real desenvolvimento desses alunos.

O educador pode criar materiais e métodos que considerem a faixa etária do aluno por saber reconhecer as etapas de maturação cerebral. Entender a importância de estimular a percepção como forma de criar mais associações e assim favorecer a memória de longo prazo.



[1] Nota explicativa: este esquema faz-se necessário por razões didáticas, para poder melhor associar as cartacterísticas cerebrais com a adequação do material.

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