Educação

Autoritarismo e educação

 

Impressionante como a população apoiou a intervenção do policial dentro da sala de aula de uma escola pública paulistana. O PM foi chamado de “coxinha” por um aluno da 4ª série, de 9 anos. Sentindo-se desrespeitado, o guarda entrou em plena sala de aula e começou a gritar, a agredir verbalmente os alunos, ameaçando-os com o revólver, mostrando a arma que estava empunhando, em um ataque de fúria desproporcional, considerando que estava em uma escola. Embora esse despreparo emocional evidente seja, no mínimo, preocupante, internautas chegaram a chamar o policial de herói em seus comentários.

Consideremos o estresse de toda a corporação nesses últimos meses, os policiais estão sendo massacrados pelos bandidos que formaram uma rede articuladíssima de cupinchas, enquanto eles, os policiais, têm uma corporação com elementos de várias procedências que agem e reagem de maneira distinta frente a essa matança quase que diária de seus membros, principalmente quando estão em descanso. Tornou-se, portanto, arriscado andar sem a farda e descansar com a família.

Ao ser chamado de coxinha, uma gíria das periferias paulistanas, o policial sentiu que havia um elemento “deles” infiltrado na sala de aula e entrou para mostrar sua autoridade e sua irritação pelo tratamento pejorativo. Só que, ao invadir a sala sem autorização da direção da escola, demonstra a falta de profissionalismo e de preparo desse policial que, em fúria, ameaça, fala de morte, tudo isso no meio de um monte de crianças de nove anos.

Que segurança a população pode ter diante de soldados tão assustados e cansados de arriscar a própria vida por uma causa, que, infelizmente, mostra-se perdida que é a erradicação do tráfico pela violência.

Voltando a considerar o estresse justificado pela pressão por que vêm sofrendo esses homens, ainda assim, em nada justifica sua entrada intempestiva na sala de crianças, cumprindo um papel que não é dele, o de educar e, muito menos, o de assustar esses meninos que foram tratados como marginais diante de ameaças de morte.

No entanto, os leitores que acompanhavam pela internet ficaram extasiados com a atuação do policial, chamando-o de herói, de educador, sem perceber o problema por trás dessa arbitrariedade.

Nos comentários saltam aos olhos a animação diante do autoritarismo que ainda impregna a escola como um todo e é tão apoiada pelos incautos, como se o que faltasse na escola fosse autoridade e não sérios problemas pedagógicos.

 

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